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riscos_e_rabiscos

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Estamos Mal de Saúde

Ontem foi dia de consulta. Mais uma seca no hospital que ontem estava particularmente repleto e desorganizado. Os corredores estavam atafulhados de gente e mal se conseguia passar. Era ouvir as reclamações típicas de quem não tem consulta e quer à força ser atendido e outras cenas que tais.

Fiquei a saber que estava em dívida para com o hospital. Logo eu que, por acos, até estou isenta de pagar exames, taxas moderadoras e afins. Fui logo averiguar o que se passava. Segundo a moça da secretaria "o hospital não faz o cruzamento de sistemas com o centro de saúde a não ser que seja preciso".

Tive que ir tratar do assunto à tesouraria. Descobri, então, que tinha uma conta de 3 euros para pagar de 2004!!! Como já lá vão 3  anos e quantia era tão pouca, resolvi pagá-la logo na altura. É que podiam lembrar-se de me multar e ainda ter que pagar mais. Após consulta de 3 ou 4 computadores, vieram dizer que afinal não tinha de pagar nada pois tinha sido um lançamento mal feito. Sem comentários porque senão teria muito que dizer...

Desta vez fui vista pela médica que também me operou. Ela é muito atenciosa e simpática. Achou que isto estava muito bem. Pudera! Com os cuidados todos que tenho...

Fiquei contente e mais aliviada. Já a enfermeira do centro de saúde também me tinha dito o mesmo.

Ontem custou-me bastante a fazer o penso e hoje também. Parece que isto está agora numa fase em que toca num músculo ou nalguma zona mais sensível. Argh! Amanhã há mais...

Continuo naquele marasmo, pois qualquer coisinha que faça cansa-me logo. Tenho ali as planificações a olhar para mim mas eu nem olho para elas. Tou a deixar tudo para as últimas. Depois é trabalhar contra o tempo. Será que eu só funciono bem sob pressão? é um caso a pensar...

É Para o Menino e Para a Menina!!!

São unisexo e existem para todos os gostos.

 

No início via aquilo e ficava pensativa. Onde é que havia aquilo? Seriam ferramentas de trabalho? Nunca mais me esqueço da primeira vez que vi: eram laranjas e grandes.

 

Depois comecei a ver amiúde em pequenos e grandes, e em todo o lado a que ia.

 

O meu local predilecto para os apreciar é o centro de saúde. Encontram-se de várias cores, feitios e tamanhos. Hoje vi uma gajo com uns que o fazia parecer o spiderman devido à cor.

 

Já perceberam do que estou a falar? Pensem lá: o que é que é grande, colorido, esburacado, de borracha e toda a gente tem (menos eu)? Ainda não adivinharam? Dou mais uma ajuda... são a grande moda deste verão.

 

Isso mesmo!!! Toda a gente os traz nos pés, desde aos bebés aos adultos e chamam-se CROCS!

 

Comecei a vê-los no início do verão ms pensei que fossem sapatos para jardinagem ou aqueles que se usam nos hospitais. Mas reparei que tinham cores muito garridas e tinham buracos. Aquilo fez-me lembrar as bocas dos crocodilos. Não sei porquê... E ainda nem sabia o nome deles.

 

Não consigo ver qualquer encanto nos crocs. Os meus conceitos de estética e beleza, em termos de sapatos, estão muito além deste formato.

Provavelmente serão muito confortáveis mas a mim parecem-me traineiras. Os meus pézinhos ficariam a nadar dentro destes modelos.

De qualquer das formas, se quisesse adquirir uns nem saberis onde os comprar. Só os vejo calçados. Ou as sapatarias que frequento são muito finas ou então não têm este tipo de sapato.

 

Para os fãs dos crocs, fiquem a saber que há modelos mais "delicados", como por exemplo sabrinas - outra grande moda deste verão - e botas!!! O inverno qualquer dia bate à porta. Pode ser que também cheguem a Portugal, uma vez que este fenómeno "crocs2 verifica-se a nível mundial.

 

Deixo-vos as 10 razões pelas quais devemos ter um par de sapatos destes. Se alguém ficar convencido, diga qualquer coisinha... :)

 

 

 

 

 

Alentejo Seen From the Train

 

 

Nothing with nothing around it

And a few trees in betweeen

None of which very clearly green,

Where no river or flower pays a visit.

If there be a hell, I've found it,

For if ain't here, where the devil is it?

 

 

                                                                                                                      Fernando Pessoa

Domingos de Calmaria

 

Parece que a rotina se instalou mesmo aqui em casa. O N. tá a ver futebol e eu aproveito pa vir blogar. Não é por nada, mas não sou grande apreciadora de futebol... Jogos de futebol, só do benfica (BENFICAAA! :P) ou então da selecção. Os outros ficam para quem quiser ver, princialmente na TV.

 

Para mim o futebol tem graça é no estádio ali a vibrar e a mandar vir com o árbitro. Sim porque o Benfica em mim já é uma questõa genética. Ou não fosse o meu pai Benfiquista dos 7 costados e não fizesse da filha companhia para ir aos jogos no estádio da luz desde pequena. Mas tão pequena que não percebia nada daquilo e só me interessava era apanhar as luzes dos holofotes.

Depois a menina cresceu e os interesses foram-se modificando e deixou de ir à bola com o pai. E o pai também deixou de ir à bola ao estádio devido aos desgostos provocados pelo seu clube de futebol favorito. E sem brincadeira, digo-vos que, na noite em que o Feher morreu, foi uma noite de viragem na vida do meu pai. Ele sentiu-se muito mal a ver o jogo na TV e a partir foram-lhe diagnosticados problemas cardíacos, embora sem ninguém descobrir exactamente quais. Até ao dia em que teve uma paragem cardíaca e só não partiu em "direcção à luz" porque não era a sua hora. Hoje tem um pacemaker e está bem. Thank God.

 

Este domingo tem sido um dia passado na calmaria do lar, um típico domingo de família.

Os papás vieram cá almoçar pois para mim é mais difícil ir lá a casa. Tive a visita da minha coisinha fofa que é a B., a minha priminha.

A tarde foi pasada a fazer desporto - Zapping no sofá. Enquanto isso, o sr. N. esteve entretido no PC.

 

Até o Pimentinha teve direito a uma banhoca refrescante. Claro que a dona, desta vez, não pode acompanhar o seu banho pois não consegue estar sentada. Geralmente, fico também no wc a falar com ele e a apaparicá-lo durante a banhoca. Depois meto-o ao meu colo, todo enrroscadinho nas toalhas e encho-o de mimocas. Os cães são mesmo "crianças" que temos para o resto da vida. Não sei como há pessoas que têm coração para abandonar animais. Eu, que odeio pássaros, sou incapaz de ver fazer-lhes mal. Eu aviso logo, quem fz mal a um animal ao pé de mim é como se me estivesse a fazer mal a mim. E depois eu parto em defesa do bicho.

 

Hoje não fui fazer penso. O centro de saúde está fechado e o único sítio possível era nos bombeiros. O pior é que eles não têm material para fazer este tipo de pensos. E sabem quanto paguei no domingo passado que lá fui porque desconhecia estes factos? 7.oo... SETE EUROS!!!! Já não me apanham lá! 7 euros por 3 pingas de soro fisiológico, 4 de betadine e 4 compressas?! Nem pensar. Assim só volto amanhã ao suplício. E ainda poupo 7 euros!

 

Já me estou a alongar no blog. Isto é defeito pessoal e profissional - "falar" muito. Além disso, já não consigo estar mais tempo sentada. Vou fazer companhia ao meu "ácaro alentejano" e papar as séries da fox.

 

See you tomorrow!!! :)

 

Esperteza Saloia à Portuguesa

Hoje acordei com um trovão. Qeum me conhece sabe que eu tenho um medo horrível de trovoadas mas tenho que me armar em forte senão está tudo estragado. aproveitei para tomar o meu antibiótico pois estava na hora e o despertador não despertou. Esqueci-me de o ligar. Esperta...!

Depois foi o costume: arranjar-me e preparar-me para ir fazer o penso. Cheguei ao centro de saúde e tinha cerca de 20 pessoas à frente. Hã?!? Mas hoje toda a gente tinha resolvido ir ao centro de saúde fazer pensos e levar injecções? Estranho...

Esperei meia hora sem chamassem uma única pessoa. Como não consigo estar muito tempo sentada resolvi ir dar uma voltinha até à sala de tratamentos. Foi aí que me chegou a mostarda ao nariz. Conforme vou a passar oiço uma senhora dizer "a médica disse para eu entrar assim que a pessoa que lá está dentro saisse". Ora pois tá claro! Assim que o pessoal era consultado e tinha tratamentos a fazer, entravam à frente dos outros macacos que estavam à espera na sala há horas. Mais meia hora e nada... nem uma senhazinha tinha sido chamada! Lá fui eu outra vez verificar o que se estava a passar. Desta vez eram algumas quatro pessoas que estavam à espera à porta da sala de tratamentos. Vim de lá a praguejar e a resmungar. As outras pessoas aperceberam-se do que se estava a passar e também foram verificar o mesmo que eu.

Havia 3 enfermeias - vi-as eu! - e só uma é que estava a trabalhar. Onde estavam as outras? não sei. Provavelmente a confraternizar nalgum lado.

Havia pessoas que já tinham 2 horas de espera em cima. eu cheguei lá às 11.45 e saí às 13.30. Não foi mau, pois não?

Se houvesse organização, coordenação e um supervisor em cima destes serviços, era pouco provável que isto acontecesse.

Não existe respeito nem pelos que estão doentes. Algo vai mal no Reino Luso... Ai vai, vai!

A única consolação que tive foi que a enfermeira achou que a minha "cratera" estava óptima para quem tinha sido operada há 8 dias...

Estou de Volta!

Estou de volta, assim devagarinho como quem não quer a coisa...

Vamos ver se consigo vir "blogar" um pouquinho todos os dias. É que isto de estar sempre deitada no sofá a ver TV também cansa.

Já sabem que os meus blogs são banais. Que posso eu ter de novo para contar se não saio de casa, a não ser para fazer o penso?!

Faz hoje 8 dias que fui operada. Argh! Não é motivo para comemorar mas até comia um bolinho... ou um geladinho como o do amigo gato pardo... eheheheh!

Hoje começei o dia como todos os outros desde que fui operada: fui fazer o penso! Apanhei com uma chavalinha que parecia ter saído agora da escola primária. Ainda por cima a chavala era bruta cumó caraças! Nunca me custou tanto fazer o penso. Até me enchi de calores! Eu contraia-me e queixava-me de dores e a tansa ainda me perguntou "Mas doi-lhe?" Não, não havia de doer... Ela parecia que estava a preparar um naco de carne para assar no forno!!! Vá de fazer força na minha cratera e sem o mínimo de delicadeza. Eu ainda lhe respondi que obviamente me estava a doer uma vez que  estava em contacto com a carne viva. Estagiárias trengas! Se fosse no backside dela de certeza que não o tratava assim... Vá lá estagiar para o rabo do gato!!! (sem ofensas, gato pardo, porque não desejo isto nem ao meu pior inimigo! :P)

Lá vim eu a arrastar-me até ao carro e a barafustar que isto hoje me tinha doído. E depois para entrar no carro? Foi a palhaçada do costume. E quem diz que eu depois de sentada consigo chegar à porta? É que não me consigo mexer e o N. entra sempre primeiro que eu! Sugeri-lhe que em vez de esticar o braço para puxar a porta, podia ser o último a entrar para fechar a minha porta. Assim fez. Já não há cavalheirismo!

Depois do penso fui à segurança social. então não é que recebi uma cartinha para ir pagar um prestação "atrasada"? O problema é que não estava atrasada, estava paga!!! Mas o sistema "assume" que não está paga se não for paga nos trinta dias desse mês. acham que é normal? Quem é que inventou um programa destes? Esperteza saloia... Duh?!

e depois tem uma pessoa que ir aturar "sistemas informáticos erróneos" mal podendo andar e cum calor destes...

Tirem-me deste filme, por favor!!! :P

Em Fase de Provação!

Hesitei em colocar aqui todos os pormenores da minha cirurgia, Mas depois pensei que poderia ser útil a alguém que fosse passar pelo mesmo que eu. Pesquisei sobre o assunto para saber o que realmente me esperava, mas não encontrei nada de específico, concreto e objectivo. Daí a minha decisão em contar tudo.
 
Fiz o internamento no hospital Fernando Fonseca às 9 horas da manhã. Fui acompanhada pelo N., pela minha mãe e pela minha sogra que, por norma do hospital, teve de esperar lá fora.
 
Mandaram-me esperar numa sala até que me chamassem. Após mais de uma hora de espera, veio um auxiliar buscar-me e a outras pessoas para fazermos os exames pré-operatórios.
O 1º exame que fiz foi as análises. E aqui tem início a fase da minha vida a que eu chamo PROVAÇÃO.
Fui a última do grupo a fazer as análises e a que mais tempo levou. Acontece que as minhas veias são muito fininhas e dançarinas, pelo que as analistas têm sempre dificuldade em picar-me ( só uma vez e no sítio certo!). Daí o meu medo de agulhas.
Apesar da analista ser uma moça nova, devia ter bastante experiência pois, apesar das dificuldades acertou à primeira. Mas mesmo assim fiquei com o braço negro. De seguida, fiz o ECG e o Raio X.
Voltámos todos, novamente, para a sala de espera.
 
Finalmente, começaram a chamar-nos para nos atribuir cama. O atraso na sua atribuição deveu-se ao facto destas serem poucas para os homens.
Eu era a única mulher. Foi-me atribuída a cama 19 do maior quarto feminino daquela ala.
Troquei a minha roupa pela do hospital e mandaram-me vestir umas meias brancas elásticas acima do joelho, horríveis e apertadas. Ainda por cima tenho a “coxa grossa”. Não as suportava e dobrei-as até à hora da cirurgia. Fui alvo de gozo pois parecia o Dartacão.
 
Depois vieram fazer-me algumas perguntas para colocar no meu processo. Eu estava à espera, a qualquer momento, de outra coisa que eu tanto temia: a colocação do cateter. Veio um enfermeiro novo ter comigo para o colocar. Novamente palpação das veias e a constatação de que elas são muito chatas. Expliquei-lhe que o meu braço esquerdo era melhor pois é onde me picam sempre, ao que ele respondeu, com are de “papo seco”, que não tinha nada a ver e começou a colocar-me à mesma o cateter na mão direita. De repente, diz-me “já não dá, a veia já rebentou”. Só me apeteceu mandá-lo para o inferno. Eu não o tinha avisado?! Tinha de o colocar na mão esquerda e passar por aquelas dores de novo.
 
A esta altura, eu já estava cheia de dores de cabeça de não ter comido nem bebido nada em todo o dia. Só pude comer até às 7.30 da manhã e com 4 clisteres em cima estava fraquíssima. Já nem fome sentia.
 
Eram 18.40 vieram buscar-me para a cirurgia. Tinham-me dito que seria operada depois de almoço…
Veio um auxiliar chanfrado buscar-me, Desatou a empurrar a maca com toda a força e a correr. Não sei como não tive um acidente de percurso, tipo ir contra alguma parede ou esquina.
Quando cheguei ao bloco, mandaram-me passar para uma maca tipo passadeira rolante que me passou para outra maca do outro lado do bloco operatório.
Já não podia escapar, agora é que iam ser elas!
Entrei na sala de cirurgia e foi tudo muito rápido (pelo menos pareceu). As anestesistas eram simpáticas e bem dispostas. Tinha chegado o momento da raquianestesia (tipo epidural). Levei 6 ou 7 picadelas na coluna. Algumas doeram-me, outras nem por isso. Imediatamente comecei a sentir uma sensação estranha nos dedos dos pés. Era a anestesia a fazer efeito.
Pensei que não iria sentir dor mas que iria sentir o que iam fazer. Mas afina enganei-me porque não senti absolutamente nada.
Assim que começaram o procedimento cirúrgico, senti um cheiro a chamuscado e perguntei se aquele “cheiro a churrasco” era meu. Riram-se e reponderam-me que sim. Supus , então, que estariam a utilizar laser.
Entretanto, comecei a sentir-me mal disposta. Pudera! Com aquela dose brutal de anestesia… Elas injectaram-me uma substância para que me parasse a indisposição e não vomitasse.
A cirurgia não me pareceu que tivesse durado muito tempo mas a verdade é que não tenho consciência do tempo que estive lá dentro.
 
Fui para a sala de recobro e vinham constantemente ver-me e perguntar se estava bem e se já mexia as pernas. Levei muito tempo a mexer qualquer coisa. Via tudo a ir embora e eu a ficar ali. Primeiro mexi a anca e só depois foi a vez das pernas embora não tivesse qualquer percepção do seu movimento. O nosso cérebro é mesmo uma coisa fenomenal!!
 
Voltei, depois, para o quarto e só então me apercebi das horas pelos relógios dos corredores. Eram 21.30!
Quando cheguei ao quarto, estavam lá o N. e a minha mãe que, por especial favor, foi-lhes permitido que ficassem à minha espera.
 
Deram-me uma chazinho – única “refeição” desse dia - às tantas da noite e continuei naquela sonolência que deve ser própria. Apesar da sonolência, não consegui dormir nada:
 
1º As meias elásticas apertavam-me e eu não as podia tirar ( fiquei cheia de vergões vermelhos);
2º Estava sempre a tentar mexer os dedos dos pés ( o que só aconteceu já quase de manhã);
3º Doía-me as costas de estar tantas horas naquela posição;
4º Olhava, sistematicamente, pela janela para ver se já era dia (a vontade de sair dali era tanta…!)
5º As minhas colegas de quarto deram um “concerto” espectacular. Cada uma ressonava à sua maneira e uma delas completava o concerto com uns “acordes vindos do interior” fora de série.
 
A meio da noite vieram dar-me mais uma injecção. Desta vez na barriga. “Não vai doer nada, querida”, disse a enfermeira e… Pimba! “não dói nada o caraças”, pensei eu com uma sensação de dor/ardor na barriga. Mas depois de tntas picas, foi só mais uma.
 
Finalmente, a amanhã chegou. Estávamos todas ansiosas pela alta. Enquanto esperávamos, fomos tomar banho, tomar o pequeno-almoço (há mais de 24 horas que não me passava nada pelo estreito), vestir e esperar.
Por fim, a médica veio observar-me, falar comigo, fazer-me várias recomendações, dar-me alta e marcar nova consulta.
 
Liguei ao N. para me ir buscar mas como tinha “encomendado” o meu almoço teria de esperar um bocadinho. Como só podia comer coisas moles, a ementa era sopa, empadão e torta de coco. CHLEP!
Quando o almoço chegou, as minhas papilas gustativas bateram palmas de contentamento. Primeiro a sopa: Arrrgh! Sem sal, sem azeite e muiiita batata. O segundo prato: Hã?! Não se enganaram? Onde está o meu empadão?!? Almôndegas de peru… I hate PERU! E a sobremesa?? Quem a comeu? Minha rica tortinha de coco! A torta tinha sido transformada em… BANANA! Chuif!
Vim-me embora desolada por não comer a minha tortinha e ter sido enganada…
 
Agora estou na fase mais crítica disto tudo. Tenho de ir todos os dias ao centro de saúde fazer o penso à minha fístula e à minha fissura descoberta no acto da cirurgia. Não me bastava um mal, tinham que ser dois. Dependo de terceiros para me tratarem porque eu não chego lá. É o n. que é o “enfermeiro” pois a minha mãe não consegue e a minha sogra ia tendo um piripaki. Parece que a cratera é bem grande. É uma ferida aberta que tem de secar de dentro para fora. Isto é coisa para mais de um mês :/. Quase não consigo andar – tenho aquele “duck walk” – e sentar é um pouco complicado. Passo os dias a ver TV deitada ou a ler qualquer coisa que não exija muito da minha pobre molécula. Aos terceiros falta um cadinho de paciência e compreensão. Só quem passa por isto sabe dar o valor.
 
Como já devem ter percebido, o ridículo está sempre presente na minha vida, mesmo nas horas menos prováveis. Pelo menos deixa histórias para contar…

A Tiritar de Medo!

Hoje é a véspera da minha cirurgia. Estou cheia de medo. Medo da anestesia (raquianestesia) e medo do pós-operatório.
Tentei não pensar muito sobre o assunto mas à medida que as horas vão passando, as borboletas no estômago começam a aumentar.
 
Vou ser internada às 9 h e serei operada depois de almoço. E espero que seja mesmo depois de almoço. Senão aí é que o stress me vai matar.
Apesar de ser muito medricas com agulhas e outras coisas, sou muito corajosa. Mas o stress e a ansiedade dão cabo de mim. Quando se chega lá e as coisas são feitas imediatamente, não temos tempo para pensar sobre o assunto. É a espera que me mata.
 
Espero realmente só ficar lá 24 horas como me disse o médico mas tenho sérias dúvidas. Será que ele vai lá aparecer ao sábado para me dar alta? Espero que sim!!! Quero livrar-me das agulhas espetadas em mim…
O cirurgião tem fama de ser óptimo, é super simpático e dá-nos confiança mas o medo não deixa de andar à espreita.
 
Vou acabar de roer as unhas a ver TV para ver se me esqueço disto tudo.
 
Até ao meu regresso! (espero que seja no Domingo… Ihihihih)

Hoje há Festa no Alentejo!

Este post é dedicado à minha amiga S., ao primo J. e ao primo N., companheiros de diversão numa terra onde impera o calor e cuja única animação é a tradicional festa anual que se realiza – caso o padre não lhe mude a data – a 15 de Agosto.
 
A festa é igual a todas as outras de tantas terras: touradas (com fartura), quermesses, bailes e procissões.
Mas para nós era um motivo de reencontro, de diversão e até para alguns, de rédea solta.
 
O calor, em Agosto no Alentejo, arde na pele. Ou nos levantamos muito cedo e podemos andar na rua até às 10.30-11 horas, o que é pouco provável em época de festa, ou então só podemos sair ao fim da tarde.
 
Mas nós íamos sempre tomar o nosso café à taberna com menos mau aspecto da terra e a que nós chamamos de café. Claro que quando as meninas de Lisboa lá entravam, éramos observadas de alto a baixo e as línguas mais ferinas faziam comentários toscos.
Acontece que nem sempre ficávamos ali pela terra. Mesmo com um sol abrasador a esturricar os miolos, lá íamos nós de carro a outra terra qualquer tomar café. Nem que fosse para mudar de “calor”.
 
À noite encontrávamo-nos sempre. Geralmente íamos buscar-nos uns aos outros ou então encontrávamo-nos no recinto da festa à hora marcada. Íamos todos aperaltados não só para impressionar alguém que estivesse “debaixo de olho” mas também porque as cuscas da terra reparavam nas nossas fatiotas.
Depois, passávamos a noite inteira para cima e para baixo: entre uma garrafa de água e outra, ora íamos ao parque – onde o pessoal ia fumar um cigarrinho às escondidas ou onde se marcavam encontros furtivos com namorados – ora íamos até ao recinto de baile.
O primo N. era o par preferido das miúdas. Era o puto mais giro do baile e não dava vazão às fãs.
 
As histórias passadas nesta terra são imensas. Eu costumava ir dormir a casa da M. que costumava marcar encontros nocturnos com os namorados no quarto dela. Nunca mais me esqueço de um que se passou no Natal. À hora do encontro marcado, ela precisou de ir ao wc e foi mesmo nessa altura que o namorado resolveu bater à janela (sim, eles entravam pela janela!). Eu congelei. Ele continuava a bater insistentemente à janela e eu estava cheia de medo que alguém acordasse. Fui a correr chamá-la e quando regressávamos ao quarto, tropeçámos na árvore de Natal que caiu fazendo um grande estardalhaço. Glup! Não sei como é que ninguém acordou…
 
Houve ainda a história do homem sem uma perna. Esta foi passada no parque que fica numa ponta da aldeia. E a partir daqui é escuridão. Houve alguém que teimava que estava a ver um homem sem uma perna a caminhar normalmente a vir na sua direcção. Mas só ela é que o via, mais ninguém. Para ajudar à festa, começámos a ouvir um javali. Se o coração já estava apertado com a visão do “homem sem perna”, com o javali a rondar-nos a coisa começou a ficar mais assustadora. Acabámos por ir para casa cheios de medo.
 
Passaram alguns anos e o pessoal começou a ter namorado ou namorada a sério. O pior é que os parceiros não eram par para nós. Não gostavam de alinhar nas brincadeiras, mostravam sempre má cara para tudo e nunca tinham vontade de nada. E isto acabou por estragar a nossa diversão em terras do Alentejo.
 
A última vez que me lembro de estarmos no Alentejo juntos, já todos estavam comprometidos. A S. o J. e o N. são primos e ficavam todos na mesma casa – casa esta que tinha um poste da luz à porta sempre cheio de morcegos esvoaçantes! Argh! -, só eu é que era intrusa.
Nessa última noite, estávamos tão divertidos que resolvemos ficar mais um pouco no quintal deles a beber “Juquim Danieli” (Jack Daniels). Claro que a namorada do J. e o namorado da S., que nunca alinhavam em nada, foram para a cama. Lembraste S.? Bons velhos tempos.
 
Agora já nada é igual. Já não vamos à festa e raramente vamos ao Alentejo. Uns casaram, outros divorciaram-se, outros foram pais e outros estão à espera de serem pedidos em casamento. As vidas modificaram-se, as pessoas modificaram-se e as circunstâncias da vida também.
Mas pelo menos fica a memória de momentos tão felizes vividos em conjunto.
A S. será sempre uma irmã para mim, continuo a gostar muito do N. e do J. que eu considerava o meu melhor amigo. Afastou-se por um mal-entendido da parte dele e nunca resolvido. As pessoas mudam mesmo…
 

Um Jogo de Sentimentos

Uma rapariga conhece um rapaz. Sentimos imediatamente um agrado mútuo, uma empatia magnética. Já não nos conseguimos libertar daquela pessoa e, sem dar-mos por isso, o nosso pensamento foge-nos sempre para ali, o nosso discurso está cheio de referências a ele – tudo serve de pretexto para nos lembrar-mos de pormenores dele – e insuflamos o peito ao pronunciarmos o seu nome.
 
Só pensamos em formas de desfrutar da companhia um do outro… Longas conversas, gargalhadas descontraídas e, finalmente, o tão desejado toque de lábios. É o contacto entre dois mundos, uma explosão de estrelas, o surgimento de um novo planeta: o do Amor.
E já não podemos conceber o mundo sem ele – ele é o nosso mundo.
É a felicidade suprema pois somos o ponto fulcral da atenção dele. Somos surpreendidas por flores, telefonemas tolos, SMS carinhosas, bilhetinhos amorosos e palavras que nunca pensámos ouvir.
 
É então que algo corre mal e nós nem sabemos explicar qual o motivo. Há atitudes frias e inexplicáveis, deixamos de nos ver todos os dias e começamos a sentir borboletas no estômago.
Ficamos deprimidas e confusas. As coisas corriam de feição, o que se terá passado?
A indiferença dele corrói-nos, a falta de notícias destrói-nos. Mas o que estará a acontecer?
Tentamos a conversa mas não obtemos respostas. Revemos toda a relação à procura do que fizemos errado e… nada!
Ausência total do seu contacto. Nós também não o procuramos pois estamos tão desoladas que pensamos que ele não quer saber de nós. Choramos, gritamos, desabafamos. É o fim…
 
O tempo passa e já perdemos toda e qualquer esperança de o voltar a ver. As trevas invadiram o nosso mundo e é o vazio total. Perdemos a vontade de viver e de lutar.
O alento para estar com os amigos ou trabalhar é nulo. Limitamo-nos a arrastar-nos pela vida.
 
Lentamente, começamos a ganhar força e ânimo. Reerguemo-nos e engrenamos na rotina da nossa vida esperando recuperar algum entusiasmo.
 
É nessa altura que recebemos um telefonema dele a pedir para nos ver. Pronto! Volta tudo ao princípio. Quando nós já estávamos mentalizadas de que ele já não gostava de nós, que a relação tinha terminado e que não o voltaríamos a ver, eis que uma centelha de esperança se acende de novo. O nosso mundo volta a girar ao contrário.
 
Mas a incerteza e a insegurança invade-nos. Não sabemos o que significa aquele telefonema. Será uma esperança vã de um reatamento? Será que ele só nos vê como uma “amiga”? Será que fomos apenas mais uma na sua vida? Afinal o que significamos para ele, se é que significamos alguma coisa, neste momento?
 
Aceitamos sair com ele, ou não? Provavelmente sim. O coração fala mais alto que a razão e decidimos arriscar para ver o que vai acontecer. Nós gostamos dele e temos a esperança que tudo volte ao princípio.
Ou provavelmente não. Sofremos muito, não queremos voltar a passar pelo mesmo e decidimos seguir em frente.
 
“Quando nos sentimos dispostos a amar queremos que nos amem, sem pensar que essa exigência afasta o génio do amor.”
 
                                                                      Bettina Brentano
 

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